A Cerimônia de Homenagem
Na noite do dia 15 de dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa de Pernambuco foi palco de uma significativa solenidade em homenagem à renomada atriz, apresentadora e diretora Regina Casé. O evento ocorreu no Auditório Sérgio Guerra e foi marcado pela entrega de dois títulos que, na verdade, selaram um laço indissolúvel entre Regina e o Estado de Pernambuco. O vereador Eriberto Rafael, do PSB, foi o responsável por propor a outorga do título de Cidadã do Recife, enquanto o deputado estadual Waldemar Borges conferiu a ela o título de Cidadã Pernambucana.
A cerimônia não se limitou a ser um mero ato público; foi um verdadeiro reconhecimento da contribuição de Regina para a cultura popular e para a arte brasileira. Regina, que é reconhecida por sua habilidade de refletir as diversidades culturais do Brasil, esteve ao centro das homenagens, cercada por convidados ilustres, incluindo familiares, amigos e representantes das mais variadas expressões culturais pernambucanas. O evento foi enriquecido por apresentações artísticas, que realçaram ainda mais a atmosfera festiva e cultural do encontro.
A entrega desses títulos a Regina Casé representa, portanto, mais do que um reconhecimento individual; é uma celebração da cultura pernambucana e da arte, que Regina sempre buscou valorizar e difundir. Nos discursos, tanto do vereador Eriberto Rafael quanto do deputado Waldemar Borges, ficou evidente o quanto a arte de Regina transcende as barreiras geográficas e culturais, unindo diversas linguagens e expressões da cultura popular.

O Que Significa Ser Cidadã do Recife?
Receber o título de Cidadã do Recife é um honroso reconhecimento que carrega um grande peso simbólico. Este título é conferido a personalidades que, de alguma forma, contribuíram para o desenvolvimento e o reconhecimento da cidade, seja por meio da arte, da ciência, da educação ou de ações sociais. No caso de Regina Casé, sua ligação com a cidade se dá não apenas por seus laços afetivos, mas também pela forma efetiva com que ela promove a cultura pernambucana em seus trabalhos.
A cidadania perpassa uma série de valores e identidades culturais que representam o espírito da cidade. Ser cidadã do Recife significa ser parte integrante da rica tapeçaria cultural que faz da cidade um ícone no Brasil. Regina Casé, com seus trabalhos que retratam e exaltam a cultura popular, engrandeceu ainda mais essas tradições. Em seus programas e projetos, ela sempre fez questão de dar voz a artistas e manifestações culturais que geralmente não têm espaço na grande mídia, trazendo visibilidade e reconhecimento às memórias e às tradições locais.
Os títulos concedidos a Regina Casé como Cidadã do Recife e Cidadã Pernambucana consolidam a ponte que ela sempre buscou construir entre seus projetos artísticos e as culturas dos recifenses. Essas honrarias, portanto, vão além de um simples aplauso; elas são uma forma de vínculo, um reconhecimento recíproco entre a sociedade e a artista, valorizando a troca que acontece quando a arte se coloca a serviço da identidade cultural.
A Conexão de Regina Casé com Pernambuco
A conexão de Regina Casé com Pernambuco é profunda e traz à tona a presença forte da família. O avô de Regina, Ademar Casé, foi um dos pioneiros do rádio no Brasil, nascido em Belo Jardim e posteriormente migrado para Caruaru. Essa herança familiar e cultural moldou a trajetória de Regina e lhe conferiu uma sensibilidade especial para compreender e valorizar as tradições pernambucanas.
Desde sua infância, Regina visitava Pernambuco, acompanhada de seu avô que lhe contava histórias sobre a cultura e as tradições locais. Essas experiências contribuíram para que ela cultivasse um sentimento de pertencimento e conexão com o Estado, mesmo vivendo em sua cidade natal, o Rio de Janeiro. Essa ampla troca cultural proporcionou a Regina uma base sólida para desenvolver trabalhos que reverberam a riqueza da cultura popular nordestina.
A trajetória de Regina Casé é, portanto, um reflexo de sua identidade multifacetada. Ao abraçar as tradições de Pernambuco e integrá-las em sua carreira, ela não só homenageia suas raízes, mas também amplia as narrativas locais, promovendo uma representatividade que é fundamental na arte contemporânea. Com o passar dos anos, sua obra se tornou um canal para conectar as duas culturas: a carioca, repleta de influências do samba e da efervescência cultural, e a pernambucana, rica em ritmos como o frevo, o maracatu, entre outras expressões artísticas.
Discurso do Vereador Eriberto Rafael
No coração da homenagem, o vereador Eriberto Rafael proferiu um discurso repleto de significados que ressaltou a importância cultural de Regina Casé e o que ela representa para o Recife. Ele destacou que Regina tem o “sentimento artístico do pernambucano e do recifense”, e lembrou que a arte possui o poder de revelar identidades e histórias. Para ele, Regina Casé não apenas apresenta a arte, mas se faz parte dela, ouvindo e reverberando histórias que muitas vezes não têm espaço nas grandes mídias.
A fala do vereador trouxe à tona a magia da cultura que une e transforma. Ao mencionar que Regina ajudou o Brasil a entender o Recife e vice-versa, Eriberto Rafael reforçou que a trajetória da artista é um testemunho da força da arte como um meio de representar e fortalecer a identidade cultural de um povo.
Aos presentes, seu discurso foi emotivo e reverberou a essência da resistência e da luta pela valorização da cultura popular. Ele também traçou um paralelo importante, afirmando que a entrega do título é mais um reconhecimento do povo recifense a alguém que ajudou a contar suas histórias e a legitimar suas tradições, sempre com carinho e respeito. Isso demonstrou que, para o Recife, a arte de Regina não é apenas entretenimento, mas uma forma de identidade, um espelho de quem somos.
A Importância da Cultura Popular na Arte de Regina
A cultura popular é um dos pilares centrais da obra de Regina Casé. Ao longo de sua carreira, ela se dedicou a dar voz e visibilidade a expressões artísticas que frequentemente são marginalizadas. Sua habilidade em democratizar o acesso à cultura fez com que muitas tradições, que antes eram desconsideradas, ganhassem um espaço merecido nas telas de televisão e nos palcos do Brasil.
Em seu programa “Esquenta!”, por exemplo, Regina focava em celebrar a diversidade cultural, apresentando gêneros musicais variados, danças e manifestações artísticas regionais. Essa abordagem foi um divisor de águas, tornando-se uma referência no que diz respeito à valorização da cultura popular. Os convidados eram sempre artistas que representavam esse rico mosaico cultural brasileiro, trazendo para o centro das atenções não apenas a arte, mas também as histórias de vida que a acompanharam. Esse espaço tornou-se um verdadeiro reflexo do que é o povo brasileiro: diverso, vibrante e cheio de histórias para contar.
Regina, assim, atua como uma ponte entre diferentes culturas, promovendo o diálogo entre tradições antigas e novas expressões artísticas. Sua contribuição para a arte popular não é apenas um meio de entretenimento, mas uma ferramenta de inclusão e reconhecimento. Em um país tão grande e diverso quanto o Brasil, Daniela Casé provou que a arte serve como um elo entre os diferentes segmentos sociais e culturais, permitindo que mais pessoas reconheçam as raízes que compõem a identidade brasileira.
A Trajetória de Regina Casé no Entretenimento
A trajetória de Regina Casé no mundo do entretenimento é marcada por diversas conquistas e um compromisso constante de promover conteúdos que reflitam a realidade social e cultural do Brasil. Desde sua estreia no teatro, através do respeitado grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, Regina não só se destacou como atriz, mas também como diretora e produtora, mostrando sua versatilidade e talento. Seu processo criativo sempre esteve alinhado com a promoção da cultura popular, usando seu espaço de influência para trazer à tona temas relevantes.
Na televisão, Regina ganhou destaque em produções que rapidamente se tornaram clássicos, como “Guerra dos Sexos”, “O Canto da Sereia” e “Que Horas Ela Volta?”. Este último, uma produção cinematográfica aclamada, destacou-se por seu olhar crítico sobre questões sociais contemporâneas e pelas interpretações memoráveis da atriz. A obra foi não só premiada nacionalmente, mas também recebeu reconhecimento internacional, consolidando Regina como uma artista de relevo no cinema brasileiro.
Além das atuações, Regina também ficou famosa por seus programas que misturavam entretenimento e conscientização social, permitindo que o público se conectasse com vozes e histórias muitas vezes ignoradas. Seu programa “Banco de Ideias”, por exemplo, buscava sempre promover a participação ativa do público na discussão sobre cultura e direitos, mostrando que a cultura popular é viva e em constante transformação. A capacidade de Regina de conectar esses mundos distintos a fez um ícone da televisão brasileira.
Reconhecimento da Diversidade Cultural
Um dos traços marcantes da obra de Regina Casé é o reconhecimento e a celebração da diversidade cultural. Desde seus papéis em novelas até sua atuação em programas de televisão, Regina sempre se esforçou para incluir e dar voz a minorias e grupos culturais que enfrentam desafios em serem ouvidos. A forma como ela instiga conversas sobre temas como raça, classe e gênero em seus conteúdos ampliou o conhecimento e a conscientização sobre as realidades sociais que constituem o Brasil.
Em seus programas, Regina introduziu a cultura periférica, dando espaço aos artistas que muitas vezes são vistos apenas como coadjuvantes nas narrativas convencionais. Ao fazer isso, ela criou um ambiente onde a cultura popular e as tradições regionais convergem, permitindo uma troca rica e dinâmica de experiências e expressões artísticas. Para Regina, a diversidade cultural é uma fonte de resistência e renovação, e sua obra se reflete nesse compromisso em exaltar e integrar esses diversos elementos.
Esse reconhecimento não apenas enriquece a indústria do entretenimento, mas também ajuda a construir uma sociedade mais coesa e aberta ao diálogo. A arte, nas mãos de Regina Casé, tornou-se um poderoso meio de reivindicar espaço e respeito para todas as vozes, especialmente aquelas que têm sido silenciadas ou ignoradas ao longo da história.
O Papel da Arte na Identidade Pernambucana
A arte tem um papel vital na construção da identidade pernambucana, servindo como um meio de expressão das experiências, tradições e visões de mundo do povo desta rica região do Brasil. Regina Casé, com sua conexão e atuação em Pernambuco, contribui significativamente para essa construção identidade através de sua obra. Ao apresentar temas que refletem a cultura local e ao valorizar os artistas que a representam, Regina promove uma consciência coletiva em relação à identidade pernambucana.
Em muitas de suas obras, a cultura popular pernambucana é colocada em destaque, evidenciando as tradições do frevo, maracatu, e outras manifestações que formam o caráter vibrante e pujante do Estado. Essa valorização ajuda não apenas a preservar as tradições, mas também a reafirmar a importância da história cultural de Pernambuco dentro do contexto nacional.
Além disso, Regina ilumina as complexidades sociais e culturais que compõem a identidade pernambucana, utilizando a arte para contar as histórias de seus habitantes, suas lutas, suas celebrações e, principalmente, sua resiliência. A arte, sob sua perspectiva, serve como um canal através do qual as experiências locais podem ser compartilhadas com o mundo, permitindo que mais pessoas conheçam e apreciem a riqueza cultural de Pernambuco.
Regina Casé e Seus Ancestrais Pernambucanos
A presença de ancestrais pernambucanos na vida de Regina Casé não é apenas uma curiosidade familiar; é uma marca indelével que influencia sua arte e sua forma de ver o mundo. O avô de Regina, Ademar Casé, não apenas lhe transmitiu uma herança cultural rica, mas também um legado de pioneirismo que moldou a abordagem que ela tem em sua carreira. Esse vínculo com suas raízes pernambucanas proporciona a Regina uma sincera conexão com as tradições e valores que herdou, permitindo-lhe honrar essa história através da sua arte.
As memórias e vivências compartilhadas com seu avô, que a levavam em viagens a Pernambuco, moldaram seus valores. Essas experiências formaram uma fundação sólida sobre como Regina vê a cultura, desenvolvendo um respeito profundo por suas tradições. Essa conexão familiar cria uma camada extra de significado em seu trabalho, onde ela não apenas apresenta a cultura pernambucana, mas também a celebra com um espírito genuíno de amor e pertença.
A outorga dos títulos de Cidadã do Recife e Cidadã Pernambucana a Regina Casé não apenas simboliza a aceitação dela como uma filha dessa terra, mas também uma reconciliação com sua história familiar e cultural. Esses títulos representam um ciclo completo; ela não é apenas uma artista que encanta o público, mas também uma porta-voz que reitera a importância de se reconhecer e valorizar as heranças culturais que nos moldam.
Impacto da Homenagem na Comunidade Local
A homenagem a Regina Casé como Cidadã do Recife e Cidadã Pernambucana é um marco não apenas para a artista, mas também para a comunidade local, que se sente representada e valorizada através desse ato. Essa celebração reitera a importância da arte e da cultura como ferramentas para a inclusão e para a construção de identidades coletivas. Ao reconhecer Regina, a comunidade é lembrada do valor e da potência das narrativas locais, que frequentemente são ofuscadas nas grandes narrativas nacionais.
Além disso, a homenagem reforça a necessidade de se apoiar e valorizar os artistas que atuam nas mais diversas frentes culturais. Ao celebrar Regina, a comunidade reafirma seu compromisso com a valorização da cultura popular, criando um ambiente propício para a promoção de novos talentos e expressões artísticas. Esse reconhecimento não só eleva a moral da comunidade artística, mas também influencia positivamente a percepção da cultura popular entre os jovens e futuras gerações.
Com a visibilidade que o título de cidadã proporciona, há uma expectativa renovada para que mais espaços sejam abertos para as vozes locais e para que o patrimônio cultural pernambucano continue sendo celebrado e fortalecido. Afinal, a arte é um poderoso agente de transformação social, e o reconhecimento de Regina Casé serve como um lembrete de que todos têm papel na construção e na valorização da identidade cultural. Através da sua trajetória e de seu trabalho, ela inspira outros a se apropriárem de suas culturas e a se engajarem na defesa e no fomento das tradições que enriquecem o Brasil.

